Muitos estudiosos das eleições no Brasil já mostraram a existência de um padrão de voto nas últimas três eleições presidenciais. Os votos para o candidato e para a candidata do PT tenderam a diminuir à medida que a escolaridade e a renda dos eleitores aumentaram. As principais forças de oposição (PSDB e Marina Silva em 2010 e 2014) apresentaram perfil de votação inversa: melhoraram a votação do(a) seu(sua) candidato(a) à medida que aumentaram a renda e a escolaridade do eleitorado.

Os dados da última pesquisa IBOPE – que foi a campo entre os dias 8 e 10 de setembro – mostram que até o momento esse padrão não está se verificando. A primeira evidência se deve ao fato de Bolsonaro ter deslocado o PSDB como força dominante nos extratos de escolaridade e renda mais alta. O gráfico abaixo mostra o percentual de votos do candidato do PSL em quatro faixas de escolaridade, segundo o sexo dos eleitores. As linhas verticais na parte superior da barra mostram a margem de erro de cada estimativa.

 

Dois aspectos chamam a atenção no gráfico. O primeiro é que a votação de Bolsonaro segue padrão similar do PSDB/Marina nas eleições anteriores: tende a crescer à medida que a faixa de escolaridade aumenta; com destaque para a excepcional votação entre os homens com ensino médio. O segundo aspecto é a assimetria entre votos dos homens e das mulheres. Numa faixa bem inferior, o apoio de Bolsonaro entre as mulheres não varia expressivamente em termos de escolaridade.

Outra singularidade de 2018 é que, até o momento, nenhum candidato consegue obter votação expressiva nas faixas de menor renda e escolaridade. Sem a presença do ex-presidente Lula na disputa, o eleitor típico do PT nos pleitos de 2006, 2010 e 2014 ainda não se movimentou de maneira expressiva em direção a qualquer dos candidatos. A grande incógnita dessa eleição diz respeito ao que farão os eleitores mais pobres e escolarizados nas próximas semanas.

O gráfico abaixo mostra o perfil do eleitorado que na última pesquisa IBOPE respondeu que pretende votar nulo, em branco ou está indeciso. Como o perfil dos dois grupos é semelhante, resolvi agregá-los. No segmento dos eleitores que não acabaram o ensino fundamental, o volume de indecisos e dispostos a anular o voto é de cerca de 40% entre as mulheres e de cerca de 30% entre os homens. Entre os homens com ensino médio e superior a faixa de indecisos já está abaixo de 20 pontos, mas entre as mulheres é mais alta, oscilando em torno de de 30%.

 

 Por enquanto, observamos uma semelhança entre o padrão de voto de Bolsonaro em 2018 e do PSDB e de Marina nas eleições anteriores. Isso, ajuda a explicar a dificuldade que os dois candidatos estão enfrentando até o momento. Do outro lado, o voto dos eleitores de baixa renda e escolaridade está fragmentado e sem um candidato dominante. Se um nome conseguir galvanizar o movimento desse eleitorado, ele provavelmente estará no segundo turno. Se não, vamos viver uma experiência inédita: uma eleição em que o voto dos mais pobres e menos escolarizados não vai em massa para um dos concorrentes.